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Turnover nas escolas: o que é, causas e consequências

Turnover nas escolas: o que é, causas e consequências

31 de julho de 2026

7 min

    Você acompanha os indicadores de turnover na sua escola?

    Essa métrica ajuda a mensurar a rotatividade de profissionais dentro de uma escola. Quando há um número alto de demissões e contratações, há também um alto turnover.

    No caso das escolas de Educação Básica, essa rotatividade é bastante sentida. Uma pesquisa realizada pelo Instituto Educbank de Educação e Cultura, mostrou que 71% dos gestores consideram essa rotatividade, bem como o despreparo de alguns professores, o principal dilema da gestão pedagógica. 

    É com base nessa problemática que este texto se propõe a debater as causas e consequência do alto turnover nas escolas particulares de Educação Básica, as estratégias para que a gestão escolar possa atrair e reter os melhores professores, e um plano de ação para reduzir este indicador. Boa leitura!

    O dilema do alto turnover nas escolas 

    Não é de hoje que os altos índices de turnover na Educação Básica chamam atenção. O tema é pauta recorrente entre gestores, pesquisadores e educadores.

    Protagonizando uma série de ensaios acadêmicos, a rotatividade de professores preocupa aqueles que trabalham com educação. 

    Segundo o João Carlos de Carvalho, pesquisador do tema:

    • Dos professores que deixaram as escolas, 80% abandonaram o mercado docente. Isto para todas as etapas de ensino da Educação Básica;
    • Após cinco anos, menos de 40% dos professores entrantes permanecem na profissão.

    Esses dados denunciam a insatisfação dos profissionais e as dificuldades da gestão para motivar os docentes.

    As consequências do turnover nas escolas são várias: interrupção do trabalho pedagógico, dificuldade em consolidar um trabalho em equipe e queda exponencial no nível de aprendizagem dos estudantes. 

    E quais são as causas do turnover de professores?

    Os motivos que influenciam essa rotatividade podem ser diversos. 

    De acordo com Renê Ximenes, mantenedor do Colégio Mundo Verde, em São Vicente, cada vez mais observa-se professores optando pelo desligamento e migração para outro colégio por questões relacionadas à metodologia da escola. Nesses casos, ele pontua que não há muito o que ser feito, uma vez que, em prol do aprendizado dos alunos e do ambiente escolar, é preferível que haja identificação com o método. 

    Outros motivos da saída dos professores estão relacionados a salários e benefícios defasados, baixa motivação e perspectiva de crescimento, discordância de alguma diretriz ou desalinhamento com a gestão. 

    Na tese defendida por Carvalho, ele também aponta que: 

    “Destacam-se as variáveis de rendimento acadêmico dos alunos com elevados coeficientes de associação à decisão de o docente migrar para outra escola ou deixar o mercado de trabalho, indicando que desempenho escolar e atraso escolar podem influenciar significativamente a decisão de saída da escola pelo docente.”

    4 estratégias para evitar turnover nas escolas 

    A rotatividade de professores pede um compromisso de longo prazo por parte de gestores escolares. É necessário realizar uma série de mudanças, inclusive culturais, para tornar sua escola atrativa para os profissionais. Veja abaixo quatro estratégias para apaziguar o problema.

    1. Formação de professores 

     “É preciso pensar nos professores como uma classe de alunos”. Essa afirmação vem de Guiomar Namo de Melo, mestre e doutora em educação.

    Em entrevista ao Educbank, ela reforçou a importância da gestão escolar investir na formação de professores. Na ocasião, ela e dois mantenedores de escolas particulares que estavam presentes, indicaram que priorizar a capacitação desses profissionais traz uma série de benefícios à escola, entre eles, o aumento da retenção e a diminuição da rotatividade.

    A abordagem complementa outro dado da pesquisa publicada pelo Instituto Educbank: 65% dos professores afirmam ser um desafio manter-se constantemente atualizado.  

    Outro benefício destacado por Melo é o aperfeiçoamento do que ela chamou de “conhecimento pedagógico do conteúdo”, que, basicamente, é o domínio não só do conteúdo, mas de como passá-lo e ensiná-lo de maneira eficiente. 

    Por fim, a Dra. ainda abordou a insegurança que muitos docentes compartilham em dividir com o restante dos colegas e com a gestão suas dificuldades acadêmicas. Portanto, a primeira estratégia adotada pela gestão para reduzir o alto turnover é investir em formação continuada e criar um ambiente onde docentes sintam-se ouvidos e valorizados.

    2. Plano de carreira 

    Já a segunda estratégia está diretamente ligada ao plano de carreira desses profissionais. Profissionais com perspectiva de crescimento se sentem motivados e isso impacta na permanência destes na instituição. 

    Janaina Rangel Jordão, mantenedora e diretora pedagógica do Colégio Ranieri, em São Paulo, alega que após a implementação de um método focado no plano de carreira de seus professores, seu turnover diminuiu muito. Hoje, ela faz a gestão de cerca de 80 profissionais.

    O processo de formação se inicia no estágio. Em seguida, docentes passam a serem auxiliares e vão evoluindo seguindo etapas estratégicas até chegar à posição de professor.

     “Cada escola funciona de um jeito, é um universo.” pontua ela, “E o professor quando entra precisa se adaptar muito rápido”. Com esse processo de capacitação e plano de carreira, ela tem evitado esse problema e os resultados positivos do seu colégio só aumentam. 

    3. Escuta ativa e gestão participativa

    Em continuidade às ações anteriores, outra prática é a escuta ativa e uma gestão participativa e humanizada. 

    Nesse sentido, alinhar expectativas, estar atento aos feedbacks, incentivar a participação e opinião dos professores para decisões de cunho pedagógico. Todas essas ações contribuem para a aproximação do corpo docente, além de fortalecer o compromisso de toda a equipe com o propósito e projeto pedagógico da escola. 

    4. Boas condições de trabalho 

    Por fim, é preciso investir em oferecer boas condições de trabalho, com remuneração e benefícios compatíveis, boa infraestrutura e materiais didáticos. Nesse sentido, a gestão só irá solucionar a problemática do alto turnover quando esses profissionais, de importância inquestionável, sentirem-se verdadeira e merecidamente valorizados.  

    Plano de ação para diminuir o turnover de professores

    Colocar as estratégias acima em prática requer um plano organizado. Os passos não são sequenciais, ou seja, podem ser implementados simultaneamente, de acordo com a capacidade financeira e de gestão da escola.

    Veja abaixo as principais etapas que você deve seguir. Se preferir, considere-as como um checklist de ações a serem implementadas.

    Valorização profissional

    Reconheça o trabalho dos professores através de mecanismos que recompensem a dedicação. Essas ações podem ser vinculadas ao desempenho dos alunos ou a cursos e especializações adquiridas, por exemplo. Estas são algumas ideias: 

    • Programas de bonificações por metas alcançadas;
    • Seja transparente sobre as possibilidades e frequência de aumentos salariais;
    • Celebre conquistas individuais e coletivas de forma pública. 

    Além disso, promova ações para o crescimento profissional dos colaboradores. Promova cursos de capacitação, workshops e formações. Considere-as um investimento no futuro de cada profissional.

    Ambiente de trabalho positivo

    Se o clima organizacional e o cotidiano forem agradáveis, diminuem as chances dos professores buscarem outros desafios. Logo, estimule a colaboração, trabalho de equipe, crie espaços de diálogo e promova trocas de experiências.

    Controle a carga de trabalho dos professores e evite os excessos. Ofereça tempo, espaço e recursos para que eles planejem as aulas. O uso de Inteligência Artificial pode ajudar nessa tarefa, desde que você não force o uso da tecnologia.

    Além disso, a equipe de gestão deve se mostrar presente, se comunicar com clareza e resolver conflitos de forma transparente. 

    Integração e acolhimento de novos professores

    Ao receber um novo colaborador, é importante que você torne a sua adaptação o mais natural possível. O onboarding pode ajudar a introduzir o profissional a cultura, valores e os processos da instituição.

    Algo eficaz nesse sentido é designar mentores para acompanhar a adaptação. Essa prática facilita a ambientação e ajuda a criar laços com os colegas, eliminando o desconforto de um ambiente desconhecido.

    Política de benefícios atrativa

    Sua escola pode oferecer benefícios competitivos como diferencial para reter os professores. Além dos convênios de saúde e atividades físicas, é possível investir em auxílios atrativos para fortalecer a relação com os docentes.

    Entre as opções mais comuns, temos:

    • Auxílio creche;
    • Bolsas de estudos;
    • Desconto na mensalidade para os filhos.

    Cultura de aprendizado e inovação

    Estimule um ambiente de aprendizagem contínua. Introduza metodologias e espaços inovadores, como a S.T.E.A.M. e a sala maker – e treine os professores nestas abordagens. 

    São maneiras que vão além do ensino tradicional, ajudando a trazer desafios instigantes aos professores. E, além disso, enriquece o currículo dos profissionais, o que pode aumentar a taxa de retenção de profissionais da sua escola.

    Dê liberdade para que os professores proponham projetos, experimentem novas ideias e contribuam para a evolução da escola. 

    Diagnóstico de turnover

    No momento de um desligamento, tente entender o motivo: os salários estavam abaixo do mercado? Há melhorias a fazer no ambiente da escola? Não havia benefícios atrativos?

    A depender da relação com o pessoal que estava saindo, pergunte diretamente como parte do seu processo de desligamento. Também aproveite o momento para coletar feedbacks gerais sobre a escola e seu modo de gestão.

    Com base nesse diagnóstico, fica mais simples tornar sua escola um ambiente melhor para os docentes.

      Adote as melhores práticas de gestão escolar

      Aplicar os passos acima pode configurar um desafio para a gestão financeira escolar, que muitas vezes não tem estabilidade suficiente para investir em sua equipe como gostaria. Todavia, mesmo para esse problema, existe uma solução eficaz. 

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