Tecnologias como robótica, jogos digitais, gamificação e até IA já fazem parte do cotidiano das escolas. A pergunta que segue em aberto é se elas estão, de fato, melhorando o aprendizado.
A resposta é simples, segundo um estudo publicado em 2025 pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico): a tecnologia sozinha não garante resultados. Para que os alunos aprendam melhor, ela deve ser combinada com decisões pedagógicas bem fundamentadas, com professores bem capacitados e com objetivos de aprendizagem bem definidos.
Neste texto, você conhecerá os resultados deste estudo e entenderá melhor a importância da tecnologia na educação básica.
O impacto das principais tecnologias para educação
A importância da tecnologia na educação está em desenvolver habilidades como pensamento computacional, matemática e pensamento crítico. Além disso, também podem aumentar a motivação e o engajamento, principalmente em alunos com dificuldades de aprendizagem.
Segundo a OCDE, as tendências em tecnologia podem ser agrupadas em cinco categorias:
- Programação e robótica;
- Produção de mídia e letramento digital;
- Jogos educacionais;
- Realidade aumentada;
- Inteligência artificial.
Estes são os recursos mais usados em escolas ao redor do mundo. O objetivo do estudo foi mapear o impacto delas, o que funciona, o que não funciona e em quais condições os benefícios aparecem mais. Abaixo estão os principais resultados do estudo.
Programação e robótica
O impacto da programação está no pensamento lógico, na criatividade e na resolução de problemas. Esses benefícios se transferem para outras disciplinas, principalmente na área de exatas.
Nos anos iniciais, ferramentas baseadas em blocos são as mais eficazes. A partir do ensino médio, já é possível trabalhar com linguagens de programação, como Python, que são consideradas mais simples, dentro daquelas que têm aplicações reais.
Curiosamente, projetos de curta duração geram os melhores resultados de engajamento. Conforme os estudantes se acostumam com os espaços inovadores de aprendizagem, o fator “novidade” deixa de ser um atrativo.
Produção de mídia e letramento digital
Podcasts, narrativas digitais e plataformas de escrita colaborativa ajudam a desenvolver competências de linguagem. Os resultados costumam ser ainda melhores em alunos que estão em algum contexto socioeconômico desfavorável.
Um achado bem interessante: ler em papel é melhor do que em tela, principalmente em textos longos e complexos. Múltiplas pesquisas apontam que ler em papel estimula a reflexão e retenção do conteúdo.
Por isso, se a sua escola migrou 100% para as telas, vale a pena ter momentos específicos para fazer leituras do modo tradicional.
Jogos educacionais
Os jogos aumentam a motivação, promovem engajamento, colaboração e senso crítico.
Os RPGs e jogos de construção são os que mais contribuem. Um exemplo bastante conhecido é o Minecraft, no qual os estudantes podem construir todo tipo de estrutura livremente.
A grande dificuldade é transferir as habilidades aprendidas nos jogos para outros contextos. A mediação dos professores é fundamental para que isto ocorra, conectando os jogos com os objetivos de aprendizado.
Vale lembrar que jogos eletrônicos não são o mesmo que gamificação do ensino – muitas pessoas confundem, mas gamificar é adicionar mecânicas de jogos, como rankings, em atividades acadêmicas.
Realidade estendida (AR e VR)
Realidade estendida é o conjunto de três tecnologias:
- Realidade Aumentada, que é a sobreposição de elementos digitais ao mundo real;
- Realidade Virtual, que é a experiência completa de imersão em ambientes digitais;
- Realidade mista, que é a fusão de mundos reais e virtuais.
Elas têm potencial expressivo em disciplinas de exata, pois tornam conceitos abstratos facilmente manipuláveis. Por exemplo, é possível ver estruturas moleculares em 3D, fazer viagens virtuais ao fundo do oceano, ou rodar simulações impossíveis em laboratórios físicos.
O impacto da tecnologia no aprendizado é mais consistente em alunos do ensino médio. Para os mais novos, há um excesso de estímulos que podem dificultar a absorção do conhecimento.
Apesar dos benefícios, há uma barreira de acesso. Implementar projetos de realidade estendida custa muito caro. Ainda mais quando consideramos que os efeitos são mais expressivos em turmas menores, com acesso individual aos dispositivos.
Inteligência Artificial
Esta é a categoria de tecnologia que mais cresce em pesquisa e implementação. As aplicações principais estão na análise de dados: feedbacks personalizados em tempo real, auxílio nas avaliações e identificação de perfis de alunos com dificuldades de aprendizado.
Um dos principais impactos está no ensino de idiomas. O uso da IA melhorou a motivação dos alunos, que passaram a receber correções imediatas para exercícios.
Ainda assim, há limitações sérias: a IA tem dificuldade em captar as dimensões emocionais e sociais do aprendizado. Questões como privacidade de dados também preocupam.
É importante notar que o estudo trata de aplicações específicas da IA, não do uso de chatbots gerais por estudantes, como o ChatGPT. Esse tipo de ferramenta traz outra série de questões, como o seu uso como “atalho” para realizar as atividades, o que prejudica diretamente o aprendizado.
O papel do professor
O impacto da tecnologia na educação depende diretamente do professor. Sem docentes preparados para usá-la, nenhuma abordagem produz resultados.
Gestores devem formar docentes capazes de operar softwares, entender quando usá-los e como conectá-los aos objetivos daquela turma específica.
De acordo com o estudo, o ideal é ter o professor como mediador, fazendo perguntas abertas, estruturando o processo de aprendizagem, fazendo as conexões da tecnologia com os currículos, e levando os alunos a refletir sobre o que estão fazendo.
Como investir em tecnologia na escola
Antes mesmo de comprar equipamentos e construir espaços, gestores e mantenedores devem investir em programas robustos de formação. Do contrário, a escola terá pouco retorno sobre o investimento, que quase nunca é baixo.
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