A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) estabelece itens de aprendizagem essenciais para as escolas brasileiras. Ali, estão questões como protagonismo juvenil, desenvolvimento socioemocional, cooperação e empatia, e formação cidadã.
Escolas devem adequar seus currículos, planos de aula, relatórios e pareceres e práticas pedagógicas para atender ao que pede a legislação.
A questão é que a BNCC não apresenta as estratégias metodológicas para tal. O documento é propositalmente livre, para que cada escola desenvolva suas próprias abordagens, desde que coloquem os parâmetros ali estipulados em movimento. Este artigo apresenta algumas formas de fazê-lo.
Os parâmetros centrais da BNCC
A Base Nacional Comum Curricular é organizada em torno de competências gerais, temas transversais e campos de experiência.
Juntos, esses elementos determinam as habilidades que todos os estudantes devem desenvolver na educação básica, como:
- Pensamento científico, crítico e criativo;
- Comunicação;
- Cultura digital;
- Empatia, cooperação e autoconhecimento;
- Responsabilidade e cidadania.
Essas habilidades são universais. Ou seja, elas não estão sujeitas a uma disciplina específica, tampouco a momentos isolados no currículo, como semanas temáticas ou rodadas pontuais de palestras.
As escolas têm a responsabilidade de desenvolver essas aptidões de maneira integral e conectada ao currículo tradicional.
Há liberdade de escolha, pois a BNCC não determina um ou outro método de ensino. Deste modo, escolas podem construir projetos pedagógicos próprios e alinhados à sua identidade.
Metodologias ativas e a adequação à BNCC
Os métodos ativos de aprendizagem dialogam naturalmente bem com a BNCC. Não à toa, são uma das principais armas dos colégios particulares brasileiros na construção de projetos pedagógicos e até na captação de alunos. Muitas tornaram-se até comuns, de certa forma, como a robótica educacional.
Metodologias ativas invertem o processo tradicional de aprendizagem. As aulas expositivas, com professores passando matéria, dão lugar a atividades mais autônomas, nas quais o estudante cria, se envolve com os colegas, soluciona problemas e constrói ideias.
Essa mudança de postura trabalha, de forma simultânea, diferentes competências da BNCC, como o trabalho colaborativo e o pensamento crítico.
Veja abaixo quatro exemplos, com aplicação consolidada nas escolas brasileiras.
Aprendizagem Baseada em Projetos (PBL)
A Aprendizagem Baseada em Projetos trabalha com a investigação de problemas reais. Estudantes mobilizam o conhecimento teórico para resolver problemas reais ou simulados e, nesse processo, aprendem a planejar etapas, tomar decisões, lidar com a frustração e avaliar os resultados.
Para aplicar, é necessário:
- Definir um problema conectado aos temas transversais ou habilidades específicos da BNCC, e que componha o cotidiano dos alunos (como o “descarte correto do lixo”);
- Organizar os estudantes em grupos e estabelecer um cronograma com marcos de entrega (diagnóstico do problema, esboço do projeto e lista de materiais, protótipo da solução, teste final, apresentação);
- Estabelecer momentos de mentoria ao longo do processo, sem entregar respostas;
- Finalizar a atividade com apresentação pública do projeto, avaliando o produto final e o processo para chegar a ele.
Sala de aula invertida
Na sala de aula invertida, o aluno estuda o conteúdo teórico antes da aula. E, uma vez na escola, aproveita o tempo para discutir com o professor e os colegas.
O método pode aumentar o engajamento e o desempenho dos estudantes, mas deve ser aplicado com cautela, de acordo com o contexto da turma. Também é necessário criar o hábito de estudar no tempo livre e oferecer materiais didáticos de alta qualidade, como vídeos e e materiais digitais interativos.
Os passos para aplicar incluem:
- Fazer uma curadoria de conteúdos que podem ser estudados de forma autônoma (vídeos curtos, capítulos de livros, podcasts);
- Disponibilizar o material com antecedência em um ambiente virtual de aprendizagem;
- Planejar a aula com atividades práticas, discussão em grupo e resolução de exercícios;
- Usar os primeiros momentos da aula para verificar se o material foi lido e compreendido e seguir a partir daí.
Gamificação
A gamificação inclui mecânicas de jogos nas atividades pedagógicas. As mais comuns são as pontuações e os desafios.
O objetivo final é aumentar o engajamento dos alunos, para que eles continuam estudando e desenvolvendo as habilidades para “progredir no jogo”. É uma lógica bastante aplicada nos aplicativos de aprendizagem, que têm metas diárias e indicação clara de quanto falta para alcançar a próxima etapa.
Assim como outras propostas que combinam tecnologia e educação, é necessário adaptá-la ao contexto da turma, para que as atividades gamificadas realmente cumpram sua função didática.
Para aplicar a gamificação com eficiência:
- Escolher uma habilidade da BNCC que se beneficie de repetição prática ou revisão de conteúdo (como somar e subtrair, no Ensino Fundamental)
- Criar um sistema de pontuação simples, com níveis e desafios ligados às atividades (10 pontos por resposta cerca, +5 se responder por ajuda, desafio extra e mais difícil toda semana, que vale 30 pontos);
- Estabelecer regras claras, como a pontuação que vale para cada resposta, quanto precisa para chegar ao próximo nível, e quanto tempo falta (sai do nível iniciante com 50 pontos, chega ao mestre com 120);
- Avaliar o engajamento ao longo do bimestre e ajuste a mecânica conforme o necessário.
Estudo do meio
O estudo do meio promove o contato dos estudantes com a realidade que está sendo estudada. Ou seja, esta proposta metodológica tira a turma de sala de aula para realizar projetos práticos. As modalidades mais comuns são as viagens pedagógicas e passeios de estudo.
As principais vantagens do método são duas. Em primeiro lugar, a interdisciplinaridade: é possível trabalhar diversas disciplinas de uma só vez, conectando-as de maneira prática e que faça sentido para o estudante. E, em segundo lugar, a versatilidade, pois praticamente todas as competências da BNCC podem ser trabalhadas por meio dessas atividades de campo.
Passos para aplicar:
- Escolher um espaço ou fenômeno alinhado a habilidades de mais de um componente curricular (como visitar um rio local, integrando ciências e geografia);
- Preparar os estudantes antes da saída, com levantamento de hipóteses e roteiro de observação;
- Conduzir atividades de campo com registro sistemático (com fotos, anotações, entrevistas, capturas de som, vídeos, entre outras);
- Promover um momento de sistematização após o retorno, com produção de relatório, exposição ou seminário.
Como implementar estas estratégias metodológicas para a BNCC na escola
A maioria das famílias e escolas já reconhece o potencial das metodologias ativas. O problema geralmente está na implementação, pois elas são caras e requerem uma série de adaptações nas escola, pois elas são o tipo de atividade que não adianta fazer pela metade.
Se essas estratégicas metodológicas existirem apenas de forma pontual e sem continuidade, geram resultados abaixo do esperado. O mesmo se a infraestrutura for insuficiente.
A gamificação é o principal exemplo: sem os cuidados necessários, ela torna-se apenas um momento de “jogar em sala”. Os alunos se distraem com as telas e com os jogos, mas não engajam com o conteúdo que está sendo ensinado. Assim, o aprendizado fica comprometido.
Quatro elementos apoiam a implementação correta das estratégias metodológicas alinhadas à BNCC:
- Mapeamento curricular: conectar as habilidades da BNCC aos métodos mais adequados a cada tipo de conteúdo. Evite “forçar” abordagens que não combinam;
- Formação docente: professores devem ser preparados para aplicar os métodos previstos no seu projeto pedagógico. Gestores devem oferecer projetos de formação continuada para que os professores se capacitem nos métodos escolhidos;
- Avaliação por competências: metodologias ativas pedem instrumentos de avaliação diversos. Muitas vezes, será necessário avaliar o envolvimento do aluno e o andamento dos processos, além de julgar um produto final;
- Finanças estáveis: a boa saúde financeira é necessária para que a escola atue com qualidade. Sem uma previsibilidade de fluxo de caixa, é praticamente impossível planejar os investimentos necessários para oferecer metodologias diferenciadas.
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Abaixo, você vê uma playlist de vídeos de escolas apoiadas pelo Educbank, que estão desenvolvendo projetos diferenciados e inovadores em suas unidades.
