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Curso de férias na escola: passos práticos para implementar

Curso de férias na escola: passos práticos para implementar

23 de outubro de 2026

7 min

    O curso de férias, também chamado de colônia de férias, é um programa de atividades oferecido no recesso de janeiro e de julho. É um serviço à parte do calendário letivo, com público, preço e regras de cobrança próprias.

    Desenvolver esse tipo de atividade oferece uma série de vantagens para escolas particulares:

    Para a gestão, montar o curso envolve coordenar seis decisões principais: objetivo, calendário, equipe, programação, preço e segurança. Veja neste artigo como executá-las e como determinar a viabilidade financeira antes de iniciar o projeto. 

    Passo a passo para montar o curso de férias na escola infantil

    A sequência abaixo é uma base que você pode executar para, simultaneamente, avaliar o impacto financeiro da colônia de férias e avançar na estruturação do projeto.

    1. Defina o objetivo principal. O curso pode gerar receita extra ou servir à captação de famílias de fora da escola, e cada objetivo pede preço e divulgação diferentes. Escolha um deles como prioridade;
    2. Estabeleça o público-alvo. Atender só os alunos da casa ou abrir vagas externas muda o tamanho das turmas e a documentação exigida;
    3. Sonde a demanda com pré-inscrição. É um formulário em que a família indica quantas semanas pretende contratar. Defina um prazo para resposta e faça perguntas objetivas;
    4. Escolha período e jornada. Defina em quais semanas do recesso o curso funciona e se a jornada será de meio período ou integral;
    5. Dimensione a equipe pelo número de crianças. Defina a proporção de crianças por adulto de acordo com as leis municipais e acrescente a pessoa responsável por primeiros socorros;
    6. Desenhe a rotina diária antes da programação. Refeições, higiene, descanso e troca de roupa ocupam boa parte do dia de uma criança pequena, e as atividades temáticas entram nos intervalos restantes;
    7. Prepare o espaço. Reserve uma área para atividades e outra para repouso, e confirme que banheiros e cozinha comportam a ocupação prevista;
    8. Feche preço e meta mínima de vagas. Defina com base nos custos e margem de lucro. Mais adiante neste artigo você verá um exemplo de cálculo;
    9. Formalize contrato e autorizações. Apresente informações e condições de período, equipe responsável, alimentação inclusa, formas de pagamento, condições de cancelamento, uso de imagem, possibilidade de saídas, entre outras;
    10. Abra as inscrições em duas fases. Abra dois períodos de inscrição: o primeiro para as famílias e indicações delas, e, caso sobrem vagas, para o público externo;
    11. Avalie o resultado ao final. Compare ocupação e resultado financeiro com a meta e registre quantos participantes externos se matricularam na escola.

    Quanto cobrar e como calcular o ponto de equilíbrio

    O preço do curso parte dos custos da escola. Os custos fixos são sempre os mesmos, independentemente do número de crianças, como o aluguel do espaço. Os custos variáveis crescem a cada aluno inscrito, como alimentação e material para atividades.

    Defina claramente a sua estrutura de custos – idealmente, você já deve ter esse mapeamento para outras funções de gestão financeira, então apenas consulte os números.

    A partir daí, considere duas fórmulas:

    • Ponto de equilíbrio em vagas = custos fixos ÷ (preço por criança – custo variável por criança)
    • Preço mínimo = (custos fixos ÷ vagas esperadas) + custo variável por criança

    Vamos supor que a escola tem custos fixos de R$ 6.000 para o período e custo variável de R$ 120 por criança. Com preço de R$ 400, o ponto de equilíbrio é de 22 vagas (6.000 ÷ 280 = 21,4, arredondado para cima). 

    Dependendo do formato escolhido, os números podem mudar. Se for em jornada integral, o custo com alimentação e equipe será maior, mas o valor cobrado será maior. Já em meio período, você pode receber turmas diferentes de manhã e à tarde, o que reduz os custos, mas exige mais inscritos. 

    Sugestão de programação e atividades para cursos de férias

    A programação de um curso de férias se organiza em torno da rotina de cada faixa etária. 

    Na educação infantil, há uma acolhida, atividades dirigidas, espaço para alimentação, higiene, brincadeiras livres e descanso.

    Já no ensino fundamental, a rotina de cuidado ocupa menos tempo e abre espaço para projetos de mais de um dia, com tarefas em grupo e propostas que as crianças planejam em parte por conta própria. 

    Veja ideias de atividades para cada faixa etária:

    Educação infantilEnsino fundamental
    Faz de conta com fantasias e caça a pegadas no pátioInvestigação sobre os animais da região, com fichas de observação e um mural de descobertas
    Pintura coletiva em painéis grandes e experiências com texturasOficina de gravura ou de colagem em que cada criança monta um projeto e o apresenta aos colegas
    Teatro de sombras e uma sessão de cinema curta, em sala escurecidaEscrita e ensaio de uma peça curta, apresentada às famílias no último dia
    Jogos cooperativos em que as crianças vencem juntas e brincadeiras de rodaGincana por equipes com provas de raciocínio e de movimento
    Circuito de movimento com colchonetes e túneis de tecidoCriação e teste de um jogo de tabuleiro com regras escritas pelas crianças
    Experimentos com água, como misturar cores, e plantio de sementes em coposConstrução de um barco que flutua e carrega peso, com teste em bacia e registro dos resultados

    Muitas escolas adotam parcerias para aumentar a programação. Podem ser com escolinhas de esportes, grupos de teatro, escolas de dança, entre outras. Passeios, como idas ao cinema e parques, também são frequentes.

    Organizando a equipe e a segurança para a colônia de férias

    Durante o curso de férias, há uma proporção de adultos para crianças que deve ser seguida. O número pode variar conforme a cidade e a faixa etária. Portanto, a coordenação deve verificar junto aos órgãos municipais.

    Além disso, a escola deve se adequar à Lei nº 13.722/2018, conhecida como Lei Lucas. O artigo 1º determina:

    “Os estabelecimentos de ensino de educação básica da rede pública, por meio dos respectivos sistemas de ensino, e os estabelecimentos de ensino de educação básica e de recreação infantil da rede privada deverão capacitar professores e funcionários em noções de primeiros socorros.” 

    A mesma lei prevê que esses estabelecimentos disponham de kits de primeiros socorros e uma pessoa responsável por operá-los. 

    Entre as práticas comuns, estão: 

    • Ter uma ficha médica de cada criança, com campo para alergias e outro para o contato de emergência;
    • Definir um protocolo escrito para acidentes, com a ordem de acionamento do SAMU (192) e da família;
    • Definir hospital ou pronto atendimento de referência antes do início do curso de férias; 
    • Ter registro diário de chegada e saída, com a identificação de quem busca a criança.

    Boas práticas para o contrato e cobrança do curso de férias

    A cobrança do curso de férias é independente do contrato de matrícula. Portanto, você deve elaborar um documento separado. 

    Você deve estabelecer claramente:

    • Período: dias e horários de funcionamento;
    • Equipe: número de adultos responsáveis por turma;
    • Alimentação: o que está incluído e como a escola trata restrições alimentares;
    • Pagamento: valor total, datas de vencimento e métodos de pagamento disponíveis;
    • Cancelamento: regras de rescisão e de reembolso;
    • Autorizações: uso de imagem e saída com terceiros.

    Para a cobrança, emita boleto com identificação própria do curso, para diferenciar possíveis atrasos ali de inadimplência em relação às matrículas.

    Quanto ao cancelamento, elabore políticas que escalonam o reembolso conforme a antecedência do pedido, e mantenha uma lista de espera para ocupar as vagas liberadas. Lembre-se também de respeitar o prazo de 7 dias para desistência do contrato, que está previsto no Código de Defesa do Consumidor. 

    Como divulgar o curso e transformar participantes em matrículas

    No caso de abertura para o público externo, o curso de férias reunirá, no mesmo espaço e por alguns dias, famílias que ainda não conhecem a escola. Para usar esse contato como canal de captação, abra vagas ao público externo e registre na ficha de inscrição, com autorização da família, o contato e a idade da criança. 

    Durante o período, convide as famílias externas para uma conversa com a coordenação, quando a criança já está adaptada à rotina. Reserve uma condição de matrícula com prazo definido para os participantes. 

    Ao final, calcule quantos participantes externos se matricularam e compare esse número com o gasto de divulgação. Esse acompanhamento de contatos segue a lógica do texto sobre captação de matrículas o ano inteiro.

    O podcast abaixo apresenta as estratégias em detalhes. Conheça também os demais materiais do Instituto Educbank, que reúne livros, pesquisas, podcasts e entrevistas com especialistas em gestão escolar. 

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