O protagonismo juvenil é a capacidade de adolescentes assumirem papéis ativos. Jovens protagonistas desenvolvem habilidades e valores que lhes permitem navegar com segurança pela vida, tanto nas relações privadas quanto acadêmicas e profissionais.
A escola tem papel definitivo na construção desse protagonismo. Por meio de decisões metodológicas, deve estimular a autonomia dos estudantes. Hoje, a principal diretriz da educação brasileira, a BNCC, prevê essa virtude como elemento central do currículo.
Este artigo discorre sobre a importância de estimular o protagonismo juvenil em sala de aula, e como essa ação influencia positivamente as decisões futuras.
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O papel da escola no fomento do protagonismo juvenil
Ao falarmos sobre protagonismo juvenil, estamos nos referindo, sobretudo, a uma abordagem pedagógica que incentiva os alunos a assumirem um papel ativo em sua própria formação e desenvolvimento.
Para que isso aconteça, a escola precisa oferecer um ambiente propício para que os estudantes possam exercitar a sua autonomia e construam seus conhecimentos de forma mais significativa.
De acordo com a educadora e diretora acadêmica do Educbank, Dra. Lara Crivelaro:
“A Escola precisa oferecer vivências práticas em protagonismo juvenil com o objetivo de oferecer aos participantes formas de agir com postura própria de alguém que sabe o que quer e se empenha para realizar seus objetivos de modo consequente. Deve estimular a autonomia, oferecendo e conferindo melhores condições para lidar com as diversas alternativas na resolução de problemas que os desafiam.”
Um dos principais desafios da escola diante desse cenário é romper com a tradicional hierarquia em que o professor é o detentor do conhecimento e os alunos são apenas receptores. Para superá-lo, é necessário adotar práticas que valorizam o conhecimento prévio dos alunos e permitem que eles estejam no centro da construção do saber.
A importância do professor no protagonismo estudantil
O protagonismo do aluno depende diretamente da postura do professor. É ele quem delimita os espaços nos quais os estudantes podem se expressar, que planeja aulas levando em consideração a vivência da turma, e quem faz o intermédio entre os estímulos sobre os quais os estudantes constroem as suas visões de mundo.
Por sua vez, professores que não vivenciam o protagonismo em suas práticas dificilmente conseguem instigá-lo nos alunos. Ou seja: a gestão deve proporcionar autonomia aos professores, que por sua vez proporcionam autonomia aos estudantes.
Se o protagonismo estudantil estiver apenas no discurso, ou na adoção superficial de uma metodologia ativa, o projeto pedagógico dificilmente terá o resultado esperado. De maneira prática, escolas devem investir em formação docente contínua, no bem-estar dos professores, em escolhas embasadas para o Projeto Político-Pedagógico e em investimentos financeiros consistentes, que sustentem essas ações no longo prazo.
A BNCC e o projeto de vida no Ensino Médio
O projeto de vida é a forma como o estudante enxerga e planeja seus objetivos acadêmicos e profissionais. Essa construção está diretamente ligada ao protagonismo juvenil, pois é ele quem sustenta a tomada de decisões.
Dessa forma, pode-se dizer que o projeto de vida é uma das mobilizações mais “práticas” da autonomia no cotidiano escolar. Enquanto componente curricular, o projeto de vida prevê aprimorar o autoconhecimento, a autoestima, a capacidade de planejamento e de ação diante dos desafios.
As escolas têm algumas liberdades na elaboração do projeto quanto à:
- Abordagem metodológica;
- Espaço na grade curricular;
- Quais professores encabeçam o projeto;
- Como será distribuído dentro dos itinerários formativos;
- Se haverá atividades adicionais, como experiências de orientação vocacional.
A influência do protagonismo juvenil na escolha de carreira
Escolher uma carreira é uma ação difícil para a maioria dos jovens. Por isso, o autoconhecimento é uma importante ferramenta para basear sua escolha. E ele se constrói, dentro e fora do projeto de vida, por meio do protagonismo juvenil.
Estimular os alunos a conquistar a autoconfiança, autodeterminação, autoestima, autonomia, capacidade de planejamento, altruísmo, perseverança, enfim, todos os elementos que não podem faltar no desenvolvimento de suas habilidades e competências na conquista de sua identidade pessoal e social é papel da família e da escola.
O protagonismo juvenil pressupõe uma relação dinâmica entre formação, conhecimento, participação, responsabilização e criatividade.
Em um mercado de forte concorrência, a necessidade de formar profissionais cada vez mais capacitados é ainda maior. Hoje, por exemplo, muito se fala em soft skills, as competências que realçam a personalidade e o comportamento do profissional e envolvem habilidades mentais, sociais e emocionais.
6 estratégias para promover e estimular o protagonismo juvenil
O protagonismo do aluno refere-se a um processo participativo de aprendizagem. Nesse contexto, teorias, fórmulas e conceitos continuam tendo importância, mas deixam de ser o único foco, e as competências socioemocionais passam a receber destaque.
Sendo assim, a seguir sugerimos seis formas de promover e estimular o protagonismo juvenil em sala de aula.
1. Estímulo da criatividade
A criatividade tem relação direta com a capacidade de pensar e criar soluções inovadoras para problemas atuais e recorrentes. Ela também está relacionada com a habilidade de elaborar alternativas para otimizar o aprendizado e o desenvolvimento humano.
Cada vez mais, o mercado procura profissionais criativos e competentes, que ajudem a solucionar problemas críticos com poucos recursos.
Inovar significa se destacar da concorrência e ampliar seu espaço no mercado.
2. Desenvolvimento da autonomia
A autonomia é essencial para formar profissionais proativos e engajados. Por isso, é importante estimular a independência dos alunos.
Pessoas muito dependentes podem ter dificuldade de estabelecer relações de mais autonomia. Afinal, essa ação demanda correr riscos e ter capacidade de antecipar e resolver problemas e possíveis confrontos entre colegas.
Desse modo, agir de forma autônoma exige reconhecimento dos próprios limites, visão de interdependência entre profissionais, autocrítica e lealdade. Por não ser uma condição simples, é preciso desenvolver a autonomia.
Investir nesse processo resulta em ganhos diversos, como:
- Assumir o próprio desenvolvimento pessoal e profissional;
- Ser protagonista da própria história;
- Promover a autorrealização;
- Consolidar as chances de sucesso na carreira.
3. Valorização do pensamento crítico
Jovens que pensam de forma complexa, analisam o contexto e visualizam os agentes que influenciam determinadas ações tendem a ser mais críticos em suas investigações e mais cautelosos em suas decisões.
Esse conjunto de características ajuda a formar profissionais mais preparados para enfrentar os desafios contemporâneos. Além disso, o pensamento crítico faz com que o aluno tome atitudes mais acertadas.
Por fim, o pensamento crítico faz parte das competências gerais da BNCC, que as escolas têm o dever de estimular.
4. Planejamento
O aluno protagonista deve focar seus esforços nos estudos, mas sabemos que essa realidade nem sempre é possível.
Por isso, é indispensável ter um bom planejamento pessoal. Procure entender seus horários e comece a planejar os seus estudos.
Eles serão muito mais efetivos e farão parte do seu dia a dia. Comprometimento e disciplina são essenciais nesse quesito.
5. Coletividade e socialização
É comum imaginar que o aluno protagonista seja uma pessoa que busque conhecimento de maneira solitária.
No entanto, essa ideia é errada, pois é possível ter uma aprendizagem autônoma de forma colaborativa. Quando o estudante compartilha suas experiências e seus conhecimentos com os colegas, a aprendizagem se torna mais fluida e simples. Isso faz surgir outros pontos de vista e questionamentos que agregam aos estudos.
Assim, mesmo que a aprendizagem autônoma possa ser feita sozinha, ela é potencializada quando compartilhada.
Por tudo isso, vale a pena se preparar para essa mudança na forma de aprender e ensinar.
O aluno protagonista tem uma relação personalizada com a sua formação e desenvolve habilidades essenciais para se destacar no mercado de trabalho atual.
Para aproveitar suas experiências em todas as suas instâncias, é importante participar de atividades extracurriculares.
A participação do jovem nas ações sociais representa ganho de autonomia, autoconfiança e autodeterminação, dando enfoque à criação da sua identidade pessoal e social, e ao seu projeto de vida.
O jovem deve assumir seu papel de protagonista na vida e na sociedade, de forma a se tornar, sobretudo, um agente de transformação social.
6. Adoção de metodologias ativas
As metodologias ativas estão entre as abordagens mais associadas ao protagonismo juvenil. Elas naturalmente colocam o estudante no centro do processo, por meio do desenvolvimento de projetos ou resolução de problemas. É uma abordagem inversa às aulas expositivas, nas quais o aluno recebe informações na maior parte do tempo.
Escolas que adotam esse tipo de prática costumam registrar maior engajamento dos alunos. A natureza das atividades também gera ambientes de maior colaboração e a sensação de que as atividades são mais divertidas.
No entanto, as metodologias ativas não são um “curativo” que pode ser colado por cima de problemas estruturais da escola. Os professores devem estar capacitados a aplicar os métodos e ter materiais adequados à disposição.
O desafio da autonomia estudantil nas escolas particulares brasileiras
A autonomia dos estudantes é uma das principais tendências no ensino brasileiro. Mas, na maioria das escolas, ela fica apenas no discurso. O principal desafio é criar uma cultura de autonomia.
Na maioria das escolas, as decisões são centradas na gestão. Ou seja, os professores recebem projetos já “prontos”, com turmas definidas, currículos prontos, materiais já definidos e ambientes previamente preparados.
Essa centralização tem suas vantagens e desvantagens. O ponto positivo é agilizar os processos, visto que há menos rodadas de escuta e maior coesão nas escolhas. O negativo é justamente o impacto na autonomia, pois há espaços limitados para inovar e escolher outros caminhos.
Os colégios que conseguem superar o desafio costumam investir em:
- Espaços de escuta ativa;
- Currículos com margem de escolha;
- Princípios de gestão democrática;
- Canais de participação estudantil, como grêmios estudantis;
- Diretrizes claras para os professores, com espaços para incorporar a vivência dos estudantes nas escolhas curriculares.
Como o Educbank pode apoiar sua escola nesse processo
Para que as escolas ofereçam as condições necessárias para conduzir iniciativas como as que abordamos ao longo deste texto, é indispensável que haja investimento.
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