A inadimplência escolar é um dos principais problemas da gestão de escolas particulares no Brasil. Ela tem impactos diversos na sustentabilidade e expansão das atividades e pode se refletir até mesmo no projeto pedagógico.
Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), o endividamento alcançou 77,9% das famílias brasileiras em 2022.
O grande desafio é que a inadimplência compromete a previsibilidade, estabilidade e segurança financeira. Aí, nasce um dilema: como manter as obrigações e entregar um ensino de qualidade, mesmo quando o caixa não fecha?
Este artigo traz algumas respostas e reflexões sobre o tema.
O que é a inadimplência escolar?
A inadimplência escolar ocorre quando os responsáveis financeiros deixam de pagar, total ou parcialmente, os encargos previstos em contrato, como anuidade e taxas.
Significa, em palavras mais simples e diretas, o atraso no pagamento das mensalidades. E também significa que a escola está deixando de receber receitas que já estavam previstas, o que pressiona o planejamento e compromete a operação.
Os impactos, no entanto, vão muito além da redução do caixa. Entre os principais impactos da inadimplência, temos:
- Dificuldade para manter o pagamento de salários em dia;
- Atrasos no pagamento de fornecedores e prestadores de serviço;
- Maior pressão para cumprir compromissos fiscais e tributários;
- Redução dos investimentos em materiais, tecnologia e melhorias pedagógicas;
- Piora do clima interno devido às restrições orçamentárias;
- Desgaste no relacionamento entre a escola e as famílias;
- Redução da competitividade diante de outras instituições de ensino;
- Aumento da pressão financeira sobre as próprias famílias endividadas;
- Possíveis reflexos no desempenho e na permanência do estudante na escola;
- Maior imprevisibilidade no planejamento de compras de materiais, reformas e programas de bonificação para professores;
- Tempo da equipe administrativa direcionado à cobrança de mensalidades, em vez da captação de alunos e da melhoria do atendimento às famílias.
A inadimplência se agrava ainda mais quando é combinada com a evasão escolar. Além de não receber as mensalidades previstas, também ocorre a perda de um aluno que poderia gerar receita nos períodos seguintes. E, como se não bastasse, ainda há o custo para tentar receber o pagamento que já é devido.
Portanto, a inadimplência deve ser entendida como um problema multifatorial. Há o aspecto da cobrança de mensalidades atrasadas, mas também o impacto no fluxo de caixa, a questão da previsibilidade financeira e os possíveis efeitos no projeto acadêmico, por meio de investimentos ou expansões que não se realizam.
Quanto mais o problema persiste, piores são esses efeitos.
O cenário da inadimplência escolar no Brasil
“Quando chega o dia 4, véspera do pagamento de professores e funcionários, e as mensalidades não entraram, é desesperador, você não sabe o que faz”.
Quem compartilha esse relato é o criador e ex-mantenedor da rede de escolas Veredas, Danilo Costa.
Assim como ele, mês a mês, muitos gestores de escolas privadas dividem essa mesma angústia.
O levantamento mais recente divulgado em novembro de 2022 pelo Serasa, evidenciou o crescimento e a aceleração da inadimplência no Brasil, registrando um percentual de 69,83 milhões de brasileiros com o nome restrito.
Este número é 9% maior em comparação com o mesmo período em 2021. Nesse sentido, não é de se estranhar que escolas particulares repliquem essa mesma conjuntura.
Uma pesquisa divulgada pela Sponte ouviu mais de 3 mil escolas de todos os segmentos e estados do Brasil e concluiu que:
De 2019 até dezembro de 2022, a taxa de inadimplência nas escolas particulares avançou de 17,57% para 19,68%.
Evolução da taxa de inadimplência nas escolas privadas
O levantamento realizado pelo instituto Educbank de Educação e Cultura revelou que mais de 61% dos gestores de escolas particulares alegam que a inadimplência escolar, o atraso nas mensalidades e o baixo capital de giro são os principais problemas da gestão financeira.
Sobre isso, o ex-mantenedor escolar e fundador do Educbank, Danilo Costa, afirma: “Só quem já foi ou é dono de escola sabe que a inadimplência escolar ao longo do ano e a dificuldade no acesso ao crédito (mesmo para cobrir o capital de giro) são dois problemas complexos – e bem antigos.”
Diante desses fatos, é perceptível que a inadimplência escolar no país é um problema enraizado e sistêmico, cuja frequência acabou por normalizar.
Motivos que levam à inadimplência escolar
Antes de pensar em como combater a inadimplência, gestores e mantenedores devem entender onde ela nasce.
O atraso no pagamento das mensalidades pode ter diferentes causas, algumas relacionadas à realidade financeira de cada família, outras à própria gestão.
As principais causas são:
- Problemas financeiros e familiares: são a principal causa. Envolvem perda de renda, desemprego, aumento do custo de vida ou imprevistos. São questões fora o controle da escola, mas que podem ser amenizados por comunicação próxima e políticas claras de renegociação;
- Falta de organização da gestão: falhas internas podem agravar a inadimplência. Por exemplo, processos de cobrança desorganizados, ausência de lembretes, comunicação ineficiente, demora para entrar em contato com responsáveis, sistemas de gestão pouco interligados, entre outros;
- Fatores macroeconômicos: o cenário econômico também influencia diretamente os índices de inadimplência. E, infelizmente, no Brasil o cenário não é bom. A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) mostrou que 78,9% das famílias brasileiras encerraram 2025 endividadas, enquanto 29,4% tinham contas em atraso;
- Prioridades de pagamento: em cenários de endividamento, as famílias precisam escolher quais contas pagar. Nesse caso, despesas como energia, água, internet e cartão de crédito recebem prioridade, enquanto a mensalidade da escola fica para depois.
Quais os tipos de inadimplência escolar?
Nem todo cenário de inadimplência escolar é igual. Há atrasos esporádicos, que tendem a se solucionar rapidamente, e casos de inadimplência crônica, que se repete por meses.
Apesar da individualidade de cada situação, é possível observar alguns padrões que se repetem e culminam em três perfis que se destacam:
- O esquecido: este é o responsável financeiro cujo histórico é de pagamentos em dia, mas que, eventualmente, atrasa alguma mensalidade e precisa ser contatado pela gestão para efetuar o pagamento antes que se acumulem multas e juros muito altos.
- O surpreendido: é o caso do responsável que está passando por algum evento não planejado, como desemprego ou alguma doença inesperada na família, e se vê numa posição em que as dívidas são maiores que a renda atual, o que faz com que fique inadimplente por um período.
- O aproveitador: por último temos o responsável que frequentemente deixa de pagar as mensalidades, acumulando sua dívida mês a mês, porque entende que a escola não poderá tomar nenhuma atitude em relação ao aluno e aproveita-se deste respaldo legal.
Identificar esses perfis facilitará a compreensão de quais ações podem ser tomadas para amenizá-los.
A sazonalidade da inadimplência
Fora os perfis de família, também há perfis de inadimplência por época do ano. Conhecer essa sazonalidade ajuda a programar lembretes e reforçar a comunicação com as famílias antes que o atraso aconteça.
Os períodos de sazonalidade mais importantes são:
- Janeiro e fevereiro: costumam concentrar os maiores índices de inadimplência, já que há férias escolares e obrigações como IPVA, IPTU e demais dívidas acumuladas;
- Novembro e dezembro: é comum haver uma redução temporária da inadimplência devido ao pagamento do 13º salário, frequentemente utilizado para quitar mensalidades em atraso e garantir a rematrícula dos estudantes. Também é o período de maior gasto da maioria das escolas.
Estratégias para lidar a inadimplência escolar
A prevenção e o combate à inadimplência depende da implementação de processos e comunicação eficiente, que devem ser somadas a acompanhamento constante. Veja abaixo as principais boas práticas.
1. A importância da gestão preventiva
Uma gestão preventiva reúne diferentes práticas que ajudam a manter o controle da inadimplência desde os primeiros sinais de atraso, como:
- Monitoramento constante dos indicadores de inadimplência, como taxa de inadimplência, do valor em aberto, do tempo médio de atraso e do índice de recuperação de crédito;
- Definição de uma política de cobrança clara e transparente;
- Adoção de um processo estruturado de cobrança extrajudicial (falaremos abaixo sobre o assunto, continue a leitura!).
2. Filtre a entrada de alunos
Sabemos que os bons resultados de uma escola particular estão diretamente relacionados a sua captação de alunos. Contudo, apesar das necessidades inerentes a essa prática, esse deve ser um processo cuidadoso.
Para realizar a matrícula de um novo aluno, é aconselhável que a escola consulte ao CPF do responsável financeiro e confirme se a renda familiar é compatível com o valor da mensalidade. Segundo a especialista e planejadora financeira, Elle Braude, o aconselhável é que esse investimento não ultrapasse 20% da renda familiar.
Fazer essa análise do histórico do responsável antes da matrícula vai ajudar a escola a prever problemas futuros e evitar as dores relacionadas à inadimplência. Consequentemente, é uma ação eficaz aos gestores que buscam evitar ao máximo esse problema.
3. Faça uma gestão humanizada
Ao analisarmos os perfis, conseguimos perceber que a gestão desempenha um papel crucial no que tange a cobrança das mensalidades em atraso.
Todavia, esse é um processo delicado, que pode ferir ou fortalecer o relacionamento entre a escola e a família.
Para que a segunda opção aconteça, é preciso ter um processo estruturado e humanizado.
Como observamos, às vezes o responsável só precisa de um lembrete. Ou, dependendo da situação, de uma empatia momentânea com o que quer que tenha desestabilizado suas finanças naquele mês.
Dessa forma, a abordagem da equipe irá influenciar a maneira como os responsáveis enxergam a instituição e isso será importante para retê-los. E para fazê-los pagar sempre em dia!
4. Diversifique os meios de pagamento disponíveis
Por fim, facilitar ao máximo a rotina de pagamento dos pais também é algo que ajudará a reduzir os índices de inadimplência escolar.
Quanto mais opções disponibilizadas, maiores as chances do pagamento acontecer no prazo correto.
Mais uma vez, prezar por oferecer uma boa experiência às famílias e aos alunos é o que fará diferença nos resultados obtidos.
5. Oferecer condições especiais para pagamento antecipado
Enquanto gestor, seu objetivo é valorizar quem paga em dia. Ou seja, ofereça condições especiais apenas para quem tem o hábito de pagar em dia, para estimular esse comportamento.
Você deve evitar descontos excessivos. A estratégia pode deixar as famílias “acomodadas”, esperando o benefício para só então realizar o pagamento, e faz a sua escola competir apenas por preço, o que está longe do ideal quando pensamos no marketing educacional.
6. Usar uma régua de cobrança automatizada
Uma régua de cobrança automatizada permite enviar lembretes antes do vencimento e notificações logo após o atraso, reduzindo esquecimentos e diminuindo o trabalho manual da equipe.
A cobrança deve seguir um escalonamento conforme o tempo de atraso, passando por etapas como lembretes de vencimento, avisos amigáveis, contatos para negociação, cobrança extrajudicial e, apenas em último caso, medidas judiciais.
A inadimplência escolar e a relação família-escola
Uma das principais atribuições dos gestores escolares refere-se ao contato com as famílias.
Nessa relação entre instituição escolar e família do aluno, gestores desempenham diversas atribuições que requerem tato e capacidade de mediação: do acompanhamento do desempenho acadêmico e disciplinar de alunos ao acompanhamento de pagamentos e cobrança de mensalidades devidas.
A inadimplência pode colocar essa relação em risco.
O Papel do gestor escolar na relação família-escola
O papel do gestor ou da gestora nessas funções não pode ser minimizado, pois é a construção de um laço forte entre escolas, pais e responsáveis que garantem à escola uma boa taxa de retenção de alunos.
Mas isso não para por aí. Se há uma taxa tão importante quanto à de retenção, é a da rotatividade de professores numa escola – esta, que, aliás, o Educbank tem como critério para avaliar a segurança de uma escola em matéria de uma parceria entre instituição financeira e instituição de ensino.
O gestor escolar tem que dedicar sua atenção a esses diversos níveis da sua instituição para que ela se desenvolva. O desempenho simultâneo dessas funções pode ser uma balança delicada.
A questão financeira na relação família-escola
Em tempos de desafios econômicos tanto para famílias, quanto para escolas, essa relação pode se deteriorar em torno da questão financeira.
E esse tipo de complicação pode esbarrar nas relações acadêmicas – a inadimplência pode levar a um afastamento entre escola e família, afetando o acompanhamento do desempenho acadêmico e disciplinar dos alunos e alunas.
O ideal é separar a questão financeira da questão pedagógica, para que gestores escolares ganhem mais tempo para se dedicarem ao desenvolvimento acadêmico de alunos e alunas, e na percepção de qualidade de ensino das famílias. A maior dedicação nesse último quesito pode gerar ganhos evidentes para a escola: maiores taxas de rematrícula e menores taxas de evasão.
A legislação sobre inadimplência escolar no Brasil
No Brasil, a Lei nº 9.870 regula a cobrança de anuidades de contratos de educação. Em outras palavras, é este documento que organiza as principais leis sobre o pagamento de mensalidades e a inadimplência escolar.
Aqui no blog do Educbank, temos diversos artigos explorando os detalhes sobre a legislação:
- Guia sobre a lei de mensalidades escolares
- Regras para reajuste de mensalidade
- O que a escola pode e não pode em caso de inadimplência
- Tudo sobre cobrança extrajudicial de mensalidades atrasadas
- Explicação do porque é possível negar a rematrícula
Abaixo, veja um resumo rápido dos principais tópicos, incluindo os deveres e obrigações da escola em relação aos pagamentos atrasados:
- A escola não pode suspender ou expulsar um aluno por inadimplência durante o ano letivo;
- A rematrícula pode ser negada ao aluno inadimplente ao fim do período letivo;
- Materiais de uso coletivo não podem ser cobrados separadamente da mensalidade;
- O reajuste da mensalidade só pode ocorrer uma vez por ano, conforme a legislação;
- A escola não pode reter documentos escolares por falta de pagamento;
- A cobrança deve ser direcionada aos responsáveis financeiros, nunca ao estudante.
Para lidar com as cobranças, as leis do Código Civil Brasileiro e do Código de Defesa do Consumidor também se aplicam.
A lei assegura a permanência de alunos inadimplentes
Segundo a lei brasileira, a educação é um direito básico. Deste modo, escolas não podem suspender a matrícula no meio do ano letivo, mesmo em casos de inadimplência.
Para muitos gestores, isto acaba por normalizar a inadimplência.
De um lado, esse posicionamento é benéfico ao proteger o aluno de qualquer exposição vexatória e garantir seu direito ao ensino de qualidade.
Mas, do outro, não há nenhuma previsão legal que apoie as escolas que são responsáveis por manter os serviços independente de receberem ou não as mensalidades.
Nas palavras do Diretor Financeiro do Educbank, Caio Noronha: “Apesar de tentar proteger o aluno, esse mecanismo trabalha de forma contrária aos interesses e necessidades das escolas e da educação brasileira”, pontua ele.
Em sua visão, considerando que há outra regulamentação (Lei de Usura) que veda a cobrança de juros acima de 1%, é até esperado que as famílias usem a escola como instrumento de alavancagem financeira.
Dessa forma, serão priorizados o pagamento das dívidas mais caras, como o cartão de crédito, cheque especial, plano de saúde, aluguel e financiamento de imóvel, por exemplo.
Enquanto a escola, por sua vez, seguirá tentando equilibrar a gestão financeira com os recursos disponíveis.
É por motivos como esse que o setor educacional busca soluções financeiras inovadoras, que rompem com esse estigma e concedem às escolas privadas as condições necessárias para explorarem todo seu potencial.
A solução para ter inadimplência escolar ZERO
Apesar dos métodos que abordamos neste texto serem efetivos para reduzir os índices de inadimplência, nenhum deles traz a garantia de inadimplência zero.
Mas esse cenário onde a inadimplência escolar é completamente erradicada, apesar de parecer utópico, já é uma realidade para mais de 600 gestores em todo o Brasil.
Existe uma solução que garante o recebimento de 100% das mensalidades sem atraso, todos os meses.
O Educbank é o principal apoio financeiro para escolas particulares da América Latina e surgiu com o propósito de romper com barreiras sistêmicas que atrasam o desenvolvimento do setor educacional, como a dificuldade em acessar crédito de qualidade.
Segundo reportagem da Folha de S. Paulo, o Educbank foi citado como uma das soluções que estão protagonizando novas formas de apoio financeiro às escolas brasileiras, procurando inovar e diferenciar-se de produtos financeiros que já são velhos conhecidos do setor.
Sendo assim, o ex-mantenedor escolar e CEO do Educbank, Danilo Costa, afirma:
“Oferecer capital de giro, tecnologias inovadoras de pagamento, soluções completas de gestão, maior comodidade e autonomia para as famílias é tudo que um mantenedor escolar precisa para voltar a investir, voltar a focar nos alunos e no seu bem-estar, permitindo que a relação escola-família continue sempre melhorando.”
Acesse agora mesmo o canal oficial do Educbank e faça o cadastro gratuito da sua escola.
Com o Educbank, nenhuma escola fica para trás.
