O bullying na escola é um problema que afeta estudantes de todas as idades e tem consequências graves para o desenvolvimento emocional e acadêmico das vítimas. E, com a popularização das redes sociais, as práticas se tornaram ainda mais complexas e alcançam os alunos além do muro das escolas.
Seja dentro ou fora das dependências da sua escola, você tem papel importante para impedir que as discriminações e agressões aconteçam.
Este post apresentará as melhores soluções para o problema. As recomendações têm base em artigos científicos que discutem o panorama do bullying nas escolas públicas e particulares brasileiras, e a efetividade de ações antibullying ao redor do mundo.
O que é bullying na escola?
O bullying na escola é uma forma de agressão intencional e repetitiva que ocorre entre alunos. Ele geralmente ocorre em situação de desigualdade de poder, como um aluno mais velho ou maior incomodando os colegas.
Esse termo deriva da palavra inglesa “bully”, que significa valentão ou agressor. O bullying pode se manifestar de diversas formas, desde agressões verbais até violência física ou psicológica.
Os tipos mais frequentes de agressão incluem:
- Bullying verbal: consiste em insultos, xingamentos e apelidos pejorativos. Essa é uma das formas mais comuns de bullying escolar;
- Bullying moral: refere-se à difamação, calúnia e disseminação de rumores sobre a vítima, levando ao seu isolamento e exclusão social;
- Bullying sexual: inclui assédio, abuso e indução sexual, sendo uma forma de violência que precisa ser combatida com urgência;
- Bullying social: caracteriza-se pela rejeição e isolamento da vítima dentro do ambiente escolar. Os agressores incentivam outros alunos a excluí-la das interações;
- Bullying psicológico: inclui perseguição, intimidação, chantagem e manipulação emocional, resultando em altos níveis de estresse e ansiedade para a vítima;
- Bullying físico: são agressões como socos, chutes e tapas. Normalmente, esse tipo de bullying ocorre longe da supervisão de adultos;
- Bullying material: ocorre quando os pertences da vítima são roubados, furtados ou destruídos. No ambiente escolar, isso pode envolver materiais, roupas ou itens pessoais;
- Cyberbullying: é um dos tipos mais preocupantes. Envolve mensagens ofensivas, disseminação de fotos e outros conteúdos para humilhar a vítima publicamente.
Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde Escolar (PeNSE), mais de 40% dos adolescentes alegam que já foram vítimas de bullying na escola.
Os padrões de bullying
Um detalhe é que o bullying tende a ocorrer de formas diferentes na escola pública e privada. Historicamente, nas escolas particulares as agressões são mais discretas e em espaços de menor supervisão, como corredores e banheiros.
Além disso, de acordo com um estudo da UFMG publicado em 2024, meninos com alto poder aquisitivo são mais propensos a cometer abusos. Isto vale tanto para escolas públicas quanto particulares, mas o efeito é mais expressivo na rede privada.
Ou seja, o bullying não se distribui de forma aleatória entre os alunos. Frequentemente, há padrões para os quais a sua gestão pode se atentar. Por exemplo, alunos que pertencem a grupos minoritários ocupam o lugar de vítima com mais frequência.
Talvez sua escola não siga exatamente o perfil apresentado na pesquisa da UFMG. Ainda assim, a reflexão é válida: mapeie situações que possam ocorrer com frequência na escola. Agir diante delas pode diminuir o bullying com mais rapidez, pois você poderá atacar as estruturas que possibilitam as agressões, em vez dos casos isolados.
Quais são as consequências do bullying no ambiente escolar?
O bullying no ambiente escolar pode trazer consequências profundas e duradouras. As vítimas frequentemente enfrentam abalos emocionais e perda de desempenho acadêmico. Nos casos mais severos, pode causar até desconforto físico.
As principais consequências do bullying incluem:
- Baixa autoestima e problemas emocionais;
- Dificuldades de aprendizado e queda no rendimento escolar;
- Isolamento social e dificuldades para estabelecer relações saudáveis;
- Depressão, ansiedade e transtornos psicológicos;
- Risco de automutilação e pensamentos suicidas.
Como combater o bullying na escola
O combate ao bullying na escola se baseia em prevenção, intervenção e acompanhamento. Você deve supervisionar espaços, ter políticas claras para atenuar os casos, e oferecer apoio emocional para os alunos e famílias.
Vale ter em mente que nem todas as ações têm a mesma efetividade. Um estudo de 2017, que analisou 17 programas antibullying, concluiu que escolas devem adotar uma abordagem multidisciplinar.
Ou seja, não basta punir, fazer campanhas isoladas de socialização, ou ações focadas apenas em agressores ou em vítimas. O caminho é o oposto: investir em ações integradas a uma estratégia maior, que envolve vítimas, agressores, professores, famílias e o ambiente escolar como um todo.
Veja abaixo como implementar.
Estabeleça um protocolo de ação
Ter um protocolo claro para lidar com o bullying no ambiente escolar ajuda a garantir respostas rápidas e eficazes. Sua escola precisa de um plano estruturado, desde a identificação do problema até a aplicação de medidas corretivas.
Comece definindo os passos iniciais, como protocolos para receber denúncias, investigar os casos e oferecer suporte às vítimas. Além disso, determine as consequências para os agressores – lembrando de mantê-las sempre alinhadas com orientações pedagógicas e disciplinares.
Este protocolo precisa contemplar todas as famílias. Incluir os pais no processo é uma das formas mais efetivas de reduzir as agressões. Para isso, comunique as ocorrência, envolva as famílias em ações de conscientização, oriente sobre como abordar o tema em casa e abra canais de diálogo com a equipe gestora.
Isso ampliará a abrangência das suas ações – mesmo fora da escola, os estudantes continuarão aprendendo como melhorar o comportamento.
Reabilitação dos agressores
Os alunos que praticam bullying também precisam de acompanhamento. Você deve entender a causa do comportamento e agir sobre ele para que mude. Isso pode acontecer de várias formas, desde ações disciplinares até sessões de aconselhamento e trabalhos comunitários.
Há diversos métodos de fazer, dependendo da gravidade do problema. Algumas escolas implementam círculos restaurativos, em que o agressor escuta diretamente a vítima para entender as consequências dos seus atos. Outras adotam acompanhamentos com psicólogos, para que o agressor aprenda as habilidades socioemocionais necessárias para lidar com conflitos.
Crie canais anônimos de denúncia
Muitas vítimas de bullying têm medo de retaliação ao denunciar os agressores. Para contornar essa situação, sua escola pode estabelecer canais anônimos. Eles podem ser desde uma caixa de sugestões a um formulário online.
Assim, fica mais fácil incentivar os estudantes a relatar casos sem receio. Mas não esqueça, é importante monitorar ativamente, para não depender apenas das denúncias.
Promova a capacitação contínua da equipe escolar
Os educadores e funcionários devem ser treinados para reconhecer sinais de bullying. Dessa forma, eles conseguem intervir de maneira adequada e apoiar tanto vítimas quanto agressores, impedindo que as agressões escalem.
Isso pode ser feito por meio de workshops regulares, cursos online e palestras ministradas por especialistas na área da psicologia infantil e mediação de conflitos.
Os professores são responsáveis por conduzir a maior parte das ações antibullying. Mas, para que tenham sucesso, o treinamento deve ser constante. Cabe à gestão oferecer as ferramentas para que os professores atendam, além de monitorar o andamento das atividades.
Esse rigor no acompanhamento foi um dos diferenciais que permitiu à Finlândia desenvolver um dos projetos antibullying mais efetivos do mundo.
Desenvolva atividades de integração
As atividades extracurriculares podem ajudar na criação de vínculo entre os alunos. Esportes, clubes de teatro, debates e projetos sociais são exemplos de atividades enriquecedoras e inclusivas, que podem reduzir o isolamento social entre os alunos e ensinar a lidar com as diferenças.
As atividades de integração são uma oportunidade de trabalhar um elemento frequentemente esquecido nas estratégias antibullying na escola: as testemunhas. Elas têm papel decisivo: quando ficam caladas ou riem, incentivam os abusos. Quando repreendem, podem encerrar o ciclo de violência.
O programa antibullying da Finlândia, mencionado anteriormente, se baseia nessa premissa. Além de punir agressores e apoiar vítimas, toda a turma é orientada a mudar as normas de grupo, denunciando as agressões aos responsáveis ou impedindo-as ali mesmo.
Estabeleça a cultura da empatia e respeito
Para combater o bullying escolar, ensine os valores da empatia, respeito às diferenças e solidariedade nas séries iniciais. Para tornar o aprendizado mais lúdico, é possível incluir dinâmicas de grupo, histórias e até simulações que mostram os impactos emocionais do bullying.
Para alunos mais velhos, você pode aproveitar as práticas de educação midiática para exibir filmes, séries, documentários e até jogos que envolvem a temática. Assim é possível estimular o debate e a reflexão dos estudantes.
Conte com o apoio de especialistas
Para combater efetivamente o bullying na escola, ofereça suporte psicológico para vítimas e agressores. Você pode disponibilizar psicólogos na escola ou parcerias externas para recuperar aqueles que foram afetados pela prática.
Algumas escolas criam grupos de apoio emocional onde as vítimas compartilham experiências e aprendem estratégias para lidar com a situação. Já para os agressores, sessões individuais com psicólogos ajudam a identificar as causas do comportamento agressivo.
Reforce a supervisão do ambiente escolar
O bullying na escola costuma acontecer em lugares com pouca fiscalização, como corredores ou banheiros. Trabalhe a segurança escolar de modo a identificar facilmente quando algo estiver fora de ordem.
Por meio de controle adequado, é possível identificar e intervir rapidamente nos conflitos. Também pode inibir algumas ações ou oferecer registros para investigar os casos denunciados.
Entre as ações, câmeras de segurança estrategicamente posicionadas e rondas de funcionários são pontos de apoio importantes.
Estimule boas práticas sociais
Você pode incentivar atitudes positivas que ajudam a construir um ambiente escolar mais saudável. Uma dica é criar certificados de boas práticas, murais de destaque ou premiações simbólicas para os estudantes que ajudam colegas ou promovem a união da turma.
Apoio para combater o bullying na escola
O bullying é um problema sério e que exige ações concretas e ágeis. Por isso, envolva toda a comunidade escolar nessa causa. Evite agir apenas quando os casos acontecerem – crie uma cultura de respeito e colaboração a partir de boas ações diárias.Esperamos que estas dicas tenham ajudado! Para mais guias, livros, podcasts, pesquisas e entrevistas com especialistas sobre todas as tendências em educação, conheça o Instituto Educbank, que seleciona os principais conteúdos para tornar a sua escola um espaço ainda mais acolhedor e moderno.
