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Diretora de escola: empresária ou mantenedora?

27 de abril de 2021

Que a pandemia do Covid-19 impactou as escolas, muito já se falou. Mas o que se disse vem na forma de dados, de regras de abertura e de fechamento, de prejuízos, ou seja, vem na forma que pode ser convertida diretamente em finanças. Se falou muito também dos reflexos da pandemia na aprendizagem, tão impactada quanto. Há outra questão, no entanto. Ela é a questão de muitos negócios que possuem um lado que não pode ser reduzido a lucro ou prejuízo. É simplesmente a questão da formação das pessoas enquanto seres humanos melhores, e o lugar que os mantenedores têm nisso.

O depoimento a seguir é de um empresário que se diz um mantenedor, antes de ser um investidor ou até mesmo um empresário. Foi publicado na revista Veja de 22 de abril deste ano.  Ele acumulou 9 milhões de reais em dívidas durante a pandemia, e defende que não está quebrado. A relação que ele tem com a sua atividade é a mesma relação que um ser humano tem com um ideal, ou seja, ele aspira a ela, à sua realização, e ao impacto que ela tem no seu entorno imediato. Este mantenedor é dono de restaurantes, mas ele também poderia ser diretor de escola:

“Daí, você me pergunta: não seria melhor fechar? Não. E a razão é simples: minha vida está naquela rua. Eu quero que aqueles restaurantes durem mais 100 anos. Não sou um investidor. Sou um mantenedor. Cuido com amor. Eu não sei como isso tudo vai acabar, mas sei que, se os restaurantes morrerem, eu morro junto. Morre o restaurante, morre o Walter. Mas eu não me entrego fácil. Não posso deixar baixar o moral. Vou lutar para sobreviver porque aquilo ali é a minha história e estou defendendo a minha vida.”

A ênfase deste artigo é no lado do negócio que os americanos chamam de “non-greedy”, ou seja, não-ganancioso. Um(a) diretor(a) de escola, provavelmente ex-docente também, às vezes da própria escola, ou docente em exercício e diretor(a) da escola, tem este lado como um propósito. A qualidade da educação é a aspiração maior, sendo a formação mais o desempenho dos alunos e alunas o fator mais importante.

Ainda no depoimento desse empreendedor, ele diz que

“Mesmo diante de uma situação tão dramática, hoje eu estou tranquilo e sereno. Sabe por quê? Porque eu não persigo dinheiro. Eu persigo um sonho. Eu não quero o lucro ou trocar de carro todo ano. Minha natureza não é a da ganância.” 

Talvez a escola consiga ensinar outras naturezas aos alunos e às alunas, porque a da ganância é a mais fácil de adquirir e pode ser encontrada em todo lugar. O diretor ou a diretora de escola, portanto, tem tudo para ser um mantenedor de um negócio, que além de lucrativo, representa  um ideal de educação para o país. As duas coisas se complementam muito bem à sua posição, parecem desenhadas para ela. 

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