A Base Nacional Comum Curricular estabelece a formação integral do estudante como objetivo da Educação Básica. Portanto, o ensino de todas as escolas do brasil compreender também questões como saúde, meio ambiente, desenvolvimento socioemocional, tecnologia e convivência com a diversidade, além do conteúdo tradicional transmitido em sala de aula.
Para dar conta dessa formação mais ampla, a BNCC organiza o currículo em torno dos Temas Contemporâneos Transversais (TCTs), que atravessam todas as disciplinas. No total, são 15 temas, agrupados em seis macroáreas: Meio Ambiente, Economia, Saúde, Cidadania e Civismo, Multiculturalismo e Ciência e Tecnologia.
Veja a seguir o que compõe cada macroárea e como a equipe pedagógica pode incorporar os TCTs ao currículo, ao projeto pedagógico e ao plano de aula.
A lista de temas contemporâneos transversais da BNCC
Os TCTs existem porque conteúdos isolados, sem conexão com a realidade do estudante, tendem a perder relevância. Ao relacionar os objetos de conhecimento de cada disciplina a questões do cotidiano, como consumo consciente, alimentação ou uso de tecnologias digitais, a escola aproxima o que é ensinado em sala do que o estudante vive fora dela.
Por isso, os TCTs não têm um componente curricular “dono”: cabe às equipes pedagógicas decidir onde e como cada tema será trabalhado. Frequentemente,
As seis macroáreas e os subtemas que as compõem são:
- Meio Ambiente: Educação Ambiental e Educação para o Consumo;
- Economia: Trabalho, Educação Financeira e Educação Fiscal;
- Saúde: Saúde e Educação Alimentar e Nutricional;
- Cidadania e Civismo: Vida Familiar e Social, Educação para o Trânsito, Educação em Direitos Humanos, Direitos da Criança e do Adolescente, e Processo de Envelhecimento, Respeito e Valorização do Idoso;
- Multiculturalismo: Diversidade Cultural e Educação para a Valorização do Multiculturalismo nas Matrizes Históricas e Culturais Brasileiras;
- Ciência e Tecnologia: Ciência e Tecnologia.
Cada um desses temas pode ser associado a habilidades de diferentes componentes curriculares. Um mesmo objeto de conhecimento de ciências, por exemplo, pode dialogar tanto com educação ambiental quanto com educação financeira, dependendo da prática escolhida pelo professor.
Intradisciplinaridade, interdisciplinaridade e transdisciplinaridade
A BNCC propõe três níveis de complexidade para incorporar os TCTs às práticas pedagógica, que podem ser combinados conforme a maturidade da equipe e o momento do planejamento:
- Intradisciplinaridade: o tema transversal é trabalhado dentro de um único componente curricular, cruzando uma habilidade específica da BNCC com o conteúdo do TCT. É o ponto de partida mais simples, útil para professores que ainda estão testando a abordagem;
- Interdisciplinaridade: dois ou mais componentes curriculares se articulam para tratar o mesmo tema, geralmente por meio de módulos de aprendizagem integrada. Nesse nível, professores de disciplinas diferentes planejam juntos e, muitas vezes, dividem o tempo de aula para conduzir o conteúdo em conjunto;
- Transdisciplinaridade: o tema passa a integrar toda a proposta pedagógica, envolvendo múltiplos componentes e, em alguns casos, toda a comunidade escolar, geralmente por meio de projetos integradores com um objetivo comum, como a produção de um manual de convivência ou um projeto de pesquisa coletivo.
Esses três níveis se aplicam a três esferas do trabalho pedagógico: o currículo, o projeto pedagógico e o plano de aula. Ou seja, uma escola pode planejar a intradisciplinaridade no currículo, a interdisciplinaridade no projeto pedagógico e a transdisciplinaridade no plano de aula. Ou qualquer outra combinação entre essas esferas e níveis, de acordo com o que fizer sentido para o contexto da instituição.
Como implementar os temas transversais da BNCC?
Incorporar os TCTs exige planejamento, mas nem sempre as escolas precisam começar do zero, menos ainda reformular completamente o currículo. Uma solução mais simples e direta é iniciar a partir dos projetos que a escola já desenvolve.
Confira a seguir, algumas orientações práticas para conduzir esse processo.
1. Comece cruzando habilidades já previstas no currículo
Antes de criar projetos amplos, identifique habilidades da BNCC que já têm relação natural com algum TCT. Uma habilidade de ciências sobre consumo de energia elétrica, por exemplo, já abre espaço para tratar de educação ambiental e educação fiscal ao mesmo tempo.
Esse mapeamento inicial ajuda a equipe pedagógica a enxergar onde os temas já estão presentes, mesmo que ainda não estejam nomeados como tal.
2. Envolva mais de um professor na proposta interdisciplinar
Quando o tema exige diálogo entre componentes, como diversidade cultural, que costuma aparecer em história e geografia, reserve um espaço na agenda para que os professores envolvidos planejem juntos a ementa, os objetivos e a avaliação.
Compartilhar esse planejamento evita sobreposição de conteúdo e faz com que o estudante perceba a conexão entre as disciplinas, em vez de receber o mesmo assunto de forma fragmentada.
3. Reserve um tempo fixo na grade para os módulos integrados
Uma forma de viabilizar a interdisciplinaridade é distribuir os TCTs por bimestre, associando cada um a dois componentes curriculares e a um horário específico da semana. Assim, a escola garante que o tema tenha espaço real no calendário letivo, em vez de depender de iniciativas pontuais de professores isolados.
4. Use projetos coletivos para os temas mais amplos
Temas como direitos da criança e do adolescente ou direitos humanos costumam ganhar mais consistência quando tratados por meio de projetos que envolvem toda a comunidade escolar, com a participação de vários componentes curriculares ao mesmo tempo.
Um projeto de elaboração de um manual de convivência, por exemplo, permite que Língua Portuguesa, Arte, Geografia, História e Ciências contribuam com etapas diferentes do mesmo produto final.
5. Defina critérios de avaliação específicos para cada prática
Cada atividade vinculada a um TCT deve ter uma forma de avaliação coerente com o que foi proposto. Ela deve ser diagnóstica, para identificar o que os estudantes já sabem sobre o tema, e formativa, para acompanhar o desenvolvimento ao longo da atividade.
Definir esses critérios no planejamento evita que o tema transversal seja tratado apenas como uma atividade extra, sem relação direta com os objetivos de aprendizagem do componente curricular.
6. Documente as práticas para reaproveitar em outros anos
Depois de aplicar uma proposta intradisciplinar, interdisciplinar ou transdisciplinar, registre o objetivo, as habilidades trabalhadas, a atividade proposta e a forma de avaliação.
Esse registro facilita o reaproveitamento da prática em turmas futuras e permite ajustes com base no que funcionou ou não na primeira aplicação, reduzindo o trabalho de planejamento nos anos seguintes.
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