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Um olhar mais atento à gestão escolar

02 de fevereiro de 2021

Um olhar mais atento à gestão escolar

 

A mensalidade das escolas particulares no país sempre recebeu atenção, tanto do governo, quanto das próprias instituições, passando pelas famílias — que precisam pagar pelo serviço. Ela está entre as cinco maiores despesas do orçamento familiar brasileiro, e pelo menos 9 milhões de alunos e alunas estão matriculados na rede privada. Nesse artigo passaremos por alguns dados e apontamentos sobre a realidade das mensalidades escolares no Brasil. Começando pelo cálculo desse reajuste.

O reajuste da mensalidade é comumente calculado em consonância com o reajuste dos custos da escola, principalmente da sua folha de pagamento — assim como outros custos administrativos e fornecedores. Em todos esses casos é esperado que a escola consiga formar um preço de mensalidade em condições de refletir suas despesas e compor uma margem operacional, que historicamente gira entre 10% e 20% de sua receita.

Fonte: IBGE

 

Gráfico: Educbank

Uma parte importante do espaço mental dos gestores escolares, infelizmente, acaba sendo tomada pelo reajuste das mensalidades, pela inadimplência e pela captação de novos alunos. Dessa forma, na maioria das escolas particulares brasileiras não sobra o tempo necessário para se focar na própria educação ou em temas estratégicos de longo prazo para a instituição, e aqui se verifica uma questão preocupante: um ciclo vicioso, ao qual muitas escolas acabam sendo submetidas.

Ainda que sob pressões diárias como essas, as escolas conseguem responder de maneira eficaz a desafios. Para ficarmos com só um exemplo, imaginem o desafio de adaptar o espaço físico e todo o modelo pedagógico para as regras de distanciamento social e redução de contágio do Coronavírus. Há custos envolvidos nisso. Tanto custo de aprendizagem quanto custos propriamente financeiros. E o manejo de toda essa nova operação, associado à constante comunicação com as famílias, coloca, mais uma vez, os gestores escolares sobrecarregados.

No Brasil não há apoiadores financeiros dedicados a suprir as necessidades de recursos e orçamento das escolas particulares. Muito embora se verifique inúmeros setores da nossa economia que contam com organismos de crédito, linhas subsidiadas e até mesmo incentivos fiscais, paradoxalmente não há nenhum tipo de fomento às escolas. Além disso, nunca houve por parte dos bancos e grupos financeiros tradicionais uma agenda em prol das escolas particulares, capaz de desenvolver serviços e soluções específicos para os seus gargalos, bem como apoiar as suas oportunidades. Não havia, até pouco tempo, produtos financeiros para conciliar os efeitos da inadimplência escolar ou para garantir capital de giro suficiente aos colégios. A escola é um serviço essencial, que enfrenta toda uma complexidade jurídico-regulatória, e é indissociável do dia a dia das famílias brasileiras.

Introduzindo soluções

Diz o provérbio — brasileiro! — que escola é a última coisa que os responsáveis financeiros querem deixar de pagar. Isso mostra a força que a educação possui no país. Ela possui a força de um ideal, de uma prioridade. No entanto, quando se pensa em mensalidade escolar, ainda se pensa em boletos. As intercorrências típicas de um boleto de mensalidade costumam ser: atraso, 2ª via, emissão incorreta, não emissão, unificação (ou não) das cobranças num único documento, tempo de compensação, dentre outras. Embora existam sistemas que organizam essas ocorrências, até então eles não eram capazes de abordar o cerne da questão. Em outras palavras, nunca houve uma solução definitiva para a inadimplência escolar.

Imaginem um sonho em que uma escola tivesse todas as suas mensalidades sendo recebidas em dia, sem intercorrências administrativas e nenhuma burocracia em seus processos. Toda a energia dessa instituição estaria direcionada, por exemplo, para assuntos educacionais, novos projetos e estratégias de expansão. Pois isso não é mais um sonho. Isso agora é possível através de ferramentas que combinam tecnologia e apoio financeiro.

Em um país com 9 milhões de estudantes distribuídos em quarenta mil escolas, apenas na rede privada, o maior desafio para se ampliar a qualidade da educação está na liberação de tempo, autonomia e orçamento do gestor escolar, que, como conhecemos bem (também fomos), está sobrecarregado. Como agravante à sobrecarga, ele possui toda uma complexa demanda por comunicação e atendimento, comprometendo ainda mais a sua agenda. Não sobra espaço e orçamento necessários para ele repensar e se reinventar.

 

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