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Sucessão escolar: como preparar a próxima geração de líderes da sua escola

Sucessão escolar: como preparar a próxima geração de líderes da sua escola

23 de setembro de 2026

7 min

    A sucessão escolar é o processo pelo qual uma escola familiar transfere, ao longo do tempo, a gestão e a propriedade do negócio para a próxima geração. Ela envolve tanto o dia a dia da instituição quanto a esfera patrimonial, na qual os herdeiros do fundador se tornam sócios e, depois, assumem controle total da empresa. 

    O processo não acontece de um dia para o outro. Na verdade, é o contrário: a preparação pode se estender por décadas, por meio de uma passagem lenta e gradual das responsabilidades. 

    Muitas empresas familiares, incluindo aí os colégios, adiam ou negligenciam a transição até literalmente o último momento possível. O resultado é a erosão dos pilares que fizeram o negócio crescer. No Brasil, 70% das empresas não conseguem passar de geração em geração. E apenas 9% chegam aos netos dos fundadores.

    Conversamos com Ana Rita Bittencourt, especialista em sucessão familiar e governança, para entender como planejar a sucessão escolar com qualidade. Se preferir, assista ao conteúdo em vídeo:

    O que caracteriza uma escola familiar

    Antes de mais nada, vamos definir quem precisa se preocupar com a sucessão escolar: as escolas familiares, que têm uma família no controle acionário

    Normalmente, essas instituições passam por algumas fases ao longo da vida:

    • Foco no projeto pedagógico;
    • Construção da saúde financeira da escola; 
    • Presença total da família fundadora, inclusive nas tarefas operacionais;
    • Consolidação e expansão do negócio;
    • Fundadores se afastam, seja por aposentadoria, seja para assumir outros empreendimentos;
    • A segunda geração começa a se envolver, assim como funcionários externos, fora da família.

    Mesmo depois desse “afastamento”, a família continua tendo propriedade do negócio. Ou seja, a escola continua sendo considerada familiar – e continua tendo que se preparar para a sucessão escolar. 

    Os três sistemas que envolvem a sucessão em escolas familiares

    Ana Rita Bittencourt destaca que a sucessão escolar ocorre dentro de três sistemas diferentes: o da empresa, da família e do patrimônio. Eles se sobrepõem, mas não se misturam, e seguem lógicas próprias. Parte importante da transição de uma geração para outra é entender como navegar entre eles.

    O sistema da empresa

    Esse sistema diz respeito ao funcionamento geral da escola e dos papéis desempenhados em cada instância de gestão escolar, da pedagógica à financeira. 

    Para a nova geração, é importante entender que, por exemplo, um professor tem um perfil de atuação diferente de um gerente financeiro ou de um coordenador. E que a remuneração de cada um corresponde a esse papel, seguindo critérios de mercado e de resultado.

    O sistema da família

    Dentro da família, os princípios são outros: os pais amam os filhos de forma igual, seguem uma hierarquia familiar, valorizam a igualdade entre irmãos, etc.

    Ninguém é demitido da família, mesmo que possa ser desligado da empresa.

    O problema aparece quando essas duas lógicas se misturam. É comum que os filhos, dentro do mesmo negócio, esperem ganhar salários iguais, e que os pais tenham dificuldade de estabelecer remunerações diferentes entre eles por aplicarem a lógica familiar onde deveria valer a lógica empresarial.

    O sistema patrimonial

    Nem todos os filhos vão trabalhar no negócio, mas todos são herdeiros e, futuramente, se tornarão sócios. Essa lógica patrimonial segue critérios ligados à legislação de cada país e define direitos como dividendos, além de responsabilidades e compromissos com a escola.

    Como realizar a sucessão escolar corretamente

    Para organizar a sucessão escolar de maneira estruturada, e respeitando os três sistemas que a compõem, os passos mais importantes são:

    • Começar o processo quando os filhos são jovens adultos;
    • Tratar a sucessão escolar como um projeto de longo prazo, com objetivos para cada mudança de geração;
    • Dialogar abertamente para evitar problemas causados pelo choque de gerações entre os fundadores e seus filhos;
    • Aplicar sistemas de governança e monitoramento de negócio;
    • Preparar emocionalmente os herdeiros para a responsabilidade;
    • Desenvolver um planejamento para sustentabilidade financeira de longo prazo.

    Veja abaixo como aplicar esses princípios.

    Quando começar o processo de sucessão

    O melhor momento para iniciar o planejamento é quando os filhos começam a se tornar adultos. É nessa fase que eles passam a pensar nas próprias escolhas profissionais e no seu papel e na sua responsabilidade dentro do negócio da família, mesmo quando não pretendem assumir a gestão da escola.

    Essa fase é boa para começar a sucessão escolar porque um filho adulto passa a interagir com o negócio de forma diferente de quando era criança: começa a ter opiniões, influência e uma visão sobre o próprio futuro dentro daquela estrutura. 

    Os desafios da transição entre gerações

    Cada etapa da sucessão traz desafios próprios.

    Na passagem da primeira para a segunda geração, o principal desafio é transferir para os herdeiros a confiança que os pais dos alunos depositavam no fundador, geralmente uma figura carismática e presente no dia a dia da escola.

    Já na passagem da segunda para a terceira geração, o desafio agora é a mudança cultural, principalmente no caso de haver muitos herdeiros, e de eles serem de núcleos familiares diferentes (como irmãos e primos).

    Ao mesmo tempo, o capital deixa de estar concentrado em um ou em poucos sócios, para ser distribuído entre vários, cada um com participação menor.

    Em ambas, pode haver conflitos geracionais entre pais e filhos. Um cenário comum descrito por Ana são os filhos trazendo um repertório próprio, diferente do que os pais aprenderam na prática da gestão.

    Do lado dos pais, é difícil ouvir posições diferentes de quem sempre orientaram. 

    E do lado dos filhos, é comum uma resistência mais dura contra decisões antigas. 

    Aqui, não tem jeito: é preciso ter muito diálogo para chegar a um meio-termo aceitável.

    Governança como base da sucessão escolar

    Sucessão escolar e governança caminham juntas. Não é possível conduzir a passagem de uma geração para outra sem um sistema de prestação de contas e de tomada de decisão.

    Esse sistema se organiza em torno de um conselho, que discute questões estratégicas e separa as responsabilidades dos sócios e dos gestores. 

    Costuma haver um choque na passagem de gerações, pois a figura do “dono” deixa de existir, como a pessoa que tem 100% de autonomia para tomar decisões. É necessário envolver todos os sócios, definir e formalizar regras, antes de realizar qualquer ação mais impactante. 

    Como preparar emocionalmente os herdeiros?

    O campo emocional e psicológico também interfere na sucessão escolar, de maneira diferente para os pais e para os filhos.

    Os filhos têm dificuldade em reconhecer a dimensão do que os pais construíram. Eles gostam do negócio e da escola, mas têm dificuldade em visualizar o trajeto, os desafios e os sacrifícios necessários para que ele prospere.

    Do outro lado, os pais precisam lidar com uma série de perdas: de poder de negócio, físicas e cognitivas relacionadas à velhice, de se despedir de entes queridos, etc.

    Lidar com tudo isso requer amplo preparo emocional. E, novamente, o diálogo assume papel central, para alinhar a transição dentro dos momentos de vida de cada geração. 

    Como equilibrar legado e inovação

    Cabe à nova geração trazer o toque de inovação para a escola, especialmente em temas como o uso da tecnologia na educação. Ao mesmo tempo, certos aspectos da tradição e da cultura deixada pelo fundador precisam ser preservados.

    O equilíbrio entre o que fez a escola chegar até aqui e o que ela vai se tornar daqui para frente é um dos pontos mais delicados da sucessão. 

    Em vez de tratar essa questão como uma disputa entre o que é certo e o que é errado, o caminho passa por identificar, junto com a geração anterior, o que vale a pena preservar e o que pode ser atualizado.

    A importância de manter a saúde financeira da escola em dia

    A gestão financeira costuma ser a maior dificuldade para mantenedores de escolas familiares, especialmente em períodos de inadimplência elevada. 

    Garantir previsibilidade no fluxo de caixa, com as mensalidades entrando sempre em uma data certa, permite reorganizar as contas da escola e sustentar tanto a operação quanto projetos que fazem parte da identidade da instituição, como programas de bolsas e doação de vagas. 

    Sem essa base financeira estável, mesmo um processo de sucessão escolar bem planejado nas esferas de gestão e governança fica mais vulnerável.

    O Educbank pode apoiar sua escola nesta área. Por meio de nosso programa de Receita Garantida, a instituição recebe o valor integral das mensalidades, mesmo quando as famílias atrasam o pagamento. 

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